O aço galvanizado é aço carbono revestido com uma camada de zinco, aplicada para retardar a corrosão. Na sucata, ele continua sendo aço, porém o revestimento entra no banho de fusão e por isso a classificação costuma ser distinta da do aço limpo. Portanto, separar material galvanizado do aço sem revestimento tende a melhorar a avaliação dos dois lotes.
O que é aço galvanizado e como reconhecer
A galvanização deposita zinco sobre o aço, normalmente por imersão a quente ou por processo eletrolítico. Como o zinco é mais reativo que o ferro, ele oxida primeiro e protege o substrato — é a chamada proteção por sacrifício. Assim, a peça resiste melhor ao tempo, mas o metal de base continua sendo aço carbono.
Na identificação visual, procure o aspecto acinzentado fosco e uniforme, sem o brilho do inox. Além disso, a galvanização por imersão a quente deixa um padrão característico de cristais, às vezes visível como desenho na superfície. Já quando o revestimento envelhece, ele forma uma camada branca pulverulenta, conhecida como corrosão branca.
Galvanizado, inox ou alumínio?
Essa confusão é comum, porque os três têm aparência clara. O ímã resolve boa parte: o galvanizado atrai, já que o núcleo é aço carbono; o alumínio não atrai; e o inox depende da série. Em seguida, o peso ajuda, uma vez que o alumínio é nitidamente mais leve. Para o fundamento da distinção entre as ligas, vale ler a diferença entre ferro e aço.
| Material | Ímã | Aparência | Peso relativo |
|---|---|---|---|
| Aço galvanizado | Atrai | Cinza fosco uniforme, pode ter cristais e pó branco | Como aço |
| Aço inox 304/316 | Não atrai | Brilho metálico, resiste à oxidação | Como aço |
| Aço inox 430 | Atrai | Brilho metálico, acabamento liso | Como aço |
| Alumínio | Não atrai | Claro, risca com facilidade | Muito mais leve |
Por que o zinco muda a classificação da sucata
A razão é de processo. O zinco tem ponto de ebulição relativamente baixo, então ele volatiliza durante a fusão em vez de permanecer no banho de aço. Consequentemente, ele sai com os gases e é capturado pelo sistema de despoeiramento da usina, concentrando-se no pó gerado no processo.
Isso traz duas consequências para o comprador. Primeiro, o material galvanizado exige captação e tratamento desse pó, o que representa custo operacional. Segundo, o rendimento metálico por tonelada é ligeiramente menor, porque parte da massa é revestimento e não aço. Assim, a classificação reflete esse custo e esse rendimento, e não uma rejeição ao material.
Galvanizado não é sucata problemática
Vale desfazer um mal-entendido frequente. Aço galvanizado é plenamente reciclável e tem mercado estabelecido — ele não é resíduo de segunda linha. O que muda é a classificação, porque o revestimento altera a economia do processo. Logo, a atitude correta do gerador não é esconder o galvanizado no meio do lote limpo, mas declará-lo e separá-lo.
Onde o galvanizado aparece na planta
- Telha, calha, rufo e fechamento metálico de galpão
- Bandeja, leito e eletroduto de instalação elétrica
- Duto de ventilação e exaustão, além de coifa industrial
- Perfil de estrutura leve, guarda-corpo e grade de piso
- Parafuso, arruela, abraçadeira e fixação em geral
- Por fim, tubulação hidráulica antiga e reservatório de água
Observe o padrão: quase tudo vem de infraestrutura predial e de instalação, e não de processo produtivo. Por isso o galvanizado tende a aparecer em reforma, troca de cobertura e desmontagem — situações eventuais, em que ninguém abre caçamba nova. Dessa forma, ele acaba se misturando ao aço limpo justamente por falta de recipiente.
Outros revestimentos que pedem separação
O galvanizado é o caso mais comum, mas não o único. Como cada revestimento interfere de forma própria na fusão, a triagem melhora quando o gerador reconhece o grupo inteiro.
- Aço estanhado, presente em embalagem metálica, porque o estanho é residual indesejado
- Aço pintado em larga área, já que a tinta gera emissão e resíduo de queima
- Chapa com revestimento plástico ou laminado, comum em painel e mobiliário
- Material com isolamento térmico colado, como duto e telha sanduíche
- Peças com componente de cobre ou bronze agregado, que introduzem residual permanente
Em resumo, o critério prático é simples: tudo que não é aço puro deve estar visível na cotação. Para o panorama das classificações, veja como funciona a classificação de sucata metálica, e para o efeito no preço, o que desvaloriza a sucata de ferro. Sobre preparação, vale o roteiro de como limpar e preparar sucata metálica para valorizá-la na venda.
Perguntas frequentes sobre sucata de aço galvanizado
Aço galvanizado vale menos que aço comum?
Ele normalmente recebe classificação distinta, porque o revestimento reduz o rendimento metálico e exige tratamento do pó gerado na fusão. No entanto, a diferença depende do momento de mercado e do estado do material. O que efetivamente prejudica o resultado é misturar galvanizado com aço limpo, já que o lote inteiro passa a ser avaliado pela condição mais restritiva.
Preciso remover o zinco antes de vender?
Não, e não tente. A remoção do revestimento é processo industrial, não tarefa de pátio, e qualquer tentativa improvisada gera risco ocupacional e passivo ambiental. Portanto, a preparação adequada é apenas separar o galvanizado em recipiente próprio e informar a quantidade na cotação. O tratamento do zinco acontece na cadeia industrial, com equipamento adequado.
Como diferenciar galvanizado de inox rapidamente?
Comece pelo ímã, porque o galvanizado atrai com força, já que o núcleo é aço carbono. Em seguida, observe o brilho: o inox tem aspecto metálico brilhante, enquanto o galvanizado é cinza fosco e uniforme. Além disso, procure sinal de corrosão branca pulverulenta, que é típica do zinco envelhecido e não aparece no inox.
Telha galvanizada de reforma entra na mesma classificação?
Entra no grupo de galvanizado, porém a espessura fina e o volume aparente elevado pesam na logística. Como telha e calha ocupam muito espaço em relação ao peso, o transporte fica menos eficiente e isso costuma entrar na negociação. Assim, informe o tipo e o volume na cotação, para que o equipamento correto seja dimensionado.
Marco Barros, Diretor da Sulfermetal.