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Sucata de inox: como identificar 304, 316 e 430

A sucata de inox não é uma categoria única: a série da liga define o valor. O 304 e o 316 são austeníticos e contêm níquel, o que os torna bem mais valiosos; o 430 é ferrítico, tem cromo mas não tem níquel, e vale menos. Portanto, misturar séries no mesmo lote derruba a avaliação de todo o material para a classificação mais baixa.

O que define o valor da sucata de inox

Em primeiro lugar, vale entender por que o inox custa mais que o aço carbono. Ele é um aço ao qual se adiciona cromo em teor elevado, normalmente acima de 10,5%, e é esse cromo que forma a camada passiva responsável pela resistência à corrosão. Além disso, algumas famílias recebem níquel, e o níquel é o elemento que mais pesa no preço.

Assim, a lógica de valor fica direta: quanto mais níquel e molibdênio, maior a cotação. Por isso o 316 vale mais que o 304, e o 304 vale mais que o 430. Ou seja, na triagem de pátio, identificar a série importa mais do que reconhecer que a peça é inox.

SérieFamíliaComposição típicaÍmãOnde aparece
304Austenítica~18% cromo e ~8% níquelNão atraiTanque, tubulação, bancada, painel, utensílio industrial
316Austenítica304 mais molibdênioNão atraiIndústria química, alimentícia, farmacêutica, ambiente salino
430Ferrítica~16% a 18% cromo, sem níquelAtraiLinha branca, coifa, acabamento decorativo, revestimento
Série 200AusteníticaManganês substituindo parte do níquelNão atraiProduto de custo reduzido, importado

Como identificar a série no pátio

O teste mais rápido usa um ímã comum. Os austeníticos, como 304 e 316, não são atraídos, enquanto o ferrítico 430 é atraído com força clara. Dessa forma, o ímã separa o grupo de maior valor do grupo de menor valor em segundos, sem nenhum equipamento.

No entanto, o ímã tem dois limites que convém conhecer. Primeiro, ele não distingue 304 de 316, porque ambos são austeníticos — para essa separação, só a análise química resolve com segurança. Segundo, um 304 que sofreu deformação a frio intensa, como uma dobra severa ou uma estampagem profunda, pode apresentar leve atração magnética na região trabalhada. Logo, teste a peça em mais de um ponto antes de concluir.

Pistas de aplicação que ajudam

  • Se a peça veio de processo químico, alimentício ou farmacêutico, a chance de ser 316 aumenta, porque esses ambientes exigem o molibdênio
  • Tanque, tubulação sanitária e bancada industrial costumam ser 304
  • Já peças de linha branca, coifa e acabamento decorativo tendem a ser 430
  • Quando a superfície apresenta pontos de corrosão localizada, mas a peça é claramente inox, a série provavelmente é mais baixa
  • Por fim, marcação de norma estampada na peça ou no tubo, quando existe, resolve a dúvida de imediato

Por que o ímã não serve para todo o resto

Aqui está uma armadilha comum. Como o 430 é magnético, ele pode acabar na caçamba de sucata ferrosa comum por engano, e aí o gerador vende inox pelo preço de aço carbono. Por outro lado, o aço carbono também atrai ímã, então o teste isolado não basta: use o ímã junto com a aparência da superfície.

O inox mantém brilho e resiste à oxidação generalizada, enquanto o aço carbono chega ao pátio com carepa e ferrugem uniforme. Para o fundamento dessa diferença entre ligas, vale ler a diferença entre ferro e aço.

O que reduz o valor de um lote de inox

A contaminação pesa mais no inox do que no aço comum, justamente porque o material de partida vale mais. Assim, cada elemento estranho que entra no lote puxa a avaliação para baixo.

  • Mistura de séries, porque o lote passa a valer pela classificação mais baixa
  • Peças com componente ferroso agregado, como flange de aço carbono em tubo de inox
  • Borracha, plástico, isolamento térmico e vedação ainda montados
  • Resíduo de processo dentro de tanques e tubulações, sobretudo químico
  • Pintura e revestimento em larga área, quando cobrem a identificação visual

Consequentemente, a preparação do material rende mais no inox do que em qualquer outro fluxo. Para o roteiro geral, veja como limpar e preparar sucata metálica para valorizá-la na venda, e também o que desvaloriza a sucata de ferro.

Checklist de segregação de inox na origem

  • Caçamba ou bombona exclusiva para inox, sempre separada do fluxo ferroso
  • Teste de ímã aplicado na entrada, para separar austenítico de ferrítico
  • Recipientes distintos para o grupo 304/316 e para o 430, porque o valor difere muito
  • Identificação da origem do equipamento, já que ela indica a série provável
  • Remoção de componente não inox antes do descarte, quando a desmontagem é viável
  • Drenagem e limpeza de tanques e tubos que operaram com produto químico
  • Registro de peso por grupo, para conferência na pesagem
  • Por fim, MTR emitido na coleta, como em qualquer saída de resíduo

Vale fechar com uma observação prática. Como o inox tem valor unitário alto, a diferença entre um lote segregado e um lote misturado costuma superar em muito o custo da separação. Ou seja, meia hora de triagem na origem paga a si mesma. Para organizar isso no fluxo da planta, veja o roteiro de separação de sucata metálica.

Perguntas frequentes sobre sucata de inox

Como saber se é 304 ou 316 sem laboratório?

Não há teste visual confiável, porque as duas séries são austeníticas e têm aparência muito semelhante. Portanto, use a origem como indício: equipamentos de indústria química, alimentícia, farmacêutica ou de ambiente salino tendem a ser 316, já que essas aplicações exigem molibdênio. Para confirmação segura, só a análise química resolve, normalmente feita por espectrometria no destinador.

Meu inox está atraindo ímã. Ele é falso?

Não necessariamente. O 430 é inox de verdade e é magnético, porque pertence à família ferrítica e não contém níquel. Além disso, um 304 submetido a deformação a frio severa pode apresentar leve atração na região trabalhada. Logo, teste a peça em vários pontos e compare com a aparência da superfície antes de concluir qualquer coisa.

Vale a pena desmontar peças antes de vender o inox?

Em geral sim, quando a desmontagem é simples e segura. Como o inox tem valor unitário elevado, remover flange de aço carbono, vedação, isolamento e componente plástico melhora a classificação de forma perceptível. No entanto, avalie o custo de mão de obra e o risco da operação: desmontagem complexa ou em altura pode ser negociada junto com a coleta.

Posso juntar inox e alumínio na mesma caçamba?

Não é recomendável, ainda que ambos sejam não ferrosos e não atraiam ímã. Eles seguem cadeias de reciclagem diferentes e têm cotações distintas, então o lote misturado exige triagem adicional e recebe avaliação pior. Na prática, mantenha um recipiente por material sempre que o espaço permitir, porque a separação na origem é o que preserva o valor.

Marco Barros, Diretor da Sulfermetal.

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